Como fica a tese da “revoada dos gansos”, agora que o “pavão” indiano emerge no cenário internacional?
Cabe recordar, a propósito, que, na década de 1980, acreditava-se que o Japão seria o “ganso” líder, em virtude de bem sucedido processo de desenvolvimento industrial voltado para exportações. Na medida em que seus produtos vendidos ao exterior se tornassem mais sofisticados e caros, os bens de menor valor agregado teriam sua manufatura, gradativamente, transferida para outros locais vizinhos, na Coréia do Sul, Cingapura, Hong Kong e Taiwan. Estes viriam a tornar-se novos “gansos” e a formar a tal “revoada “, atrás dos japoneses.
O “dragão” chinês, então, não era considerado capaz de ser incluído nesta formação. As justificativas para a decolagem da China, no final do século passado, passaram a ser encontradas em ampla bibliografia sobre a questão de “valores asiáticos” e sua influência no processo dos “flying geese”. Segundo esta forma de pensar, o “hierático universo confuciano”, de origem chinesa, estaria permeando o fenômeno de crescimento da Ásia Pacífico, misturando gansos e dragão numa mesma revoada.
A partir do início do atual milênio, no entanto, o pavão indiano, no contexto do “macunaístico caleidoscópico hindu-muçulmano “, começa a marcar presença neste já eclético bando de aves, todas símbolo de crescimento econômico. Na Índia, contudo, além do pavão, de pouca autonomia de vôo, há, em Mumbai, abutres, corvos e muitas – muitas mesmo – pombas que, com o comportamenteo errático idêntico ao dos demais habitantes do país, não obedecem a preceito confucionista algum. Tornou-se necessário, portanto, criar novo discurso ou tese, para explicar o aleardeado fenômeno de emergência no Sul da Ásia..
Assim, o ex- editor da revista “Economist”, Bill Emmott, acaba de publicar o livro “Rivals – How the power struggle between China, India and Japan will shape our next decade”, no qual cria abordagem inovadora para explicar a evolução dos países asiáticos, afirmando que as elites dos mesmos poderiam ser divididas entre “produtivas” e “parasitárias”.
Nessa perspectiva, fica resolvida a questão do enquadramento do pavão no fenômeno de crescimento regional. Isto é, na sequência da produtividade das elites dos países dos gansos e do dragão, o animal indiano, agora, se veria livre de sua elite parasita.
Para o observador em Mumbai, no entanto, não caberia adotar – neste universo aviário – a simples postura de um papagaio, no sentido de apenas imitar raciocínios gerados em capitais européias e norte-americanos. A título de exercício de reflexão, buscam-se outros enfoques sobre o ressurgimento atual da influência de civilizações asiáticas, no cenário internacional. Saiba mais