Azerbaijão – a geopolítica do romance de Ali e Nino, por Paulo Antônio Pereira Pinto

Já se tornou lugar comum dizer que a região ao Sul do Cáucaso, onde se situam Armênia, Azerbaijão e Georgia, é área de conflitos reais e potenciais, desde a extinção da URSS – a cuja União pertenciam – em 1991. Ademais, afirma-se, os povos desta parte do mundo nunca teriam sido capazes de viver em paz.

A confluência de interesses étnicos, religiosos, nacionais e internacionais antagônicos contribuiria para tal instabilidade. Daí, caberia esperar, apenas, a continuidade de disputas intermináveis e insolúveis. Novas teorias geopolíticas continuam, então, a ser formuladas ou ressucitadas para justificar este cenário de caos possível e permanente. Em contrapartida, registros históricos e obras literárias, como a narrativa sobre “Ali e Nino”, por exemplo, indicariam disposição regional no sentido contrário a tais interpretações. Read more…

What is at stake in Honduras?, por Sufyan Droubi

On June 28th, the Honduran Supreme Court decided for the destitution of Manuel Zelaya from his seat as a president, finding that he would have breached the Constitution by, inter alia, seeking a plebiscite so as to consult the population on the convening of a constituent assembly to modify the Constitution (see Corte Suprema de Justicia 2009). The Court ordered the Army to enforce its ruling and what followed was not only a forced deposition of Zelaya from his seat but also his expulsion from the country. The presidency has been temporarily occupied by Roberto Micheletti, the head of the Congress, pursuant to a constitutional rule that, in the absence of the president and the vice-president – Elvin Santos renounced his seat as vice-president in December 2008 – the head of Congress should assume the presidency. Forbidden to come back to Honduras, Zelaya sneaked back into the country on September 21 and found shelter within the Brazilian embassy. Read more…

Resenha do livro “Kissinger e o Brasil”, de Matias Spektor, por Thiago Gehre Galvão

A trama desenvolvida por Matias Spektor em “Kissinger e o Brasil” encapsula um importante episódio das relações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos e narra como Henry Kissinger tornou-se um ponto focal para a diplomacia brasileira na consecução do projeto de Brasil Potência. Jovem intelectual da nova geração de historiadores das relações internacionais brasileiros, Matias Spektor coordena o Centro de Estudos sobre Relações Internacionais do CPDOC/FGV e vive intensamente a realidade da pesquisa arquivística no Brasil. No livro, o argumento central é que o Brasil construiu seu caminho no sistema internacional, procurando impor seus próprios termos e desígnios nacionais às relações com os outros países. Perante os EUA procurou exercer um papel protagônico em três sentidos: a) afastou-se de uma postura de rivalidade ou de submissão; b) buscou estabelecer-se como um dos alicerces da ordem global; e c) evitou seguir inadvertidamente os preceitos do “gigante do norte”. Read more…

Sumário da Edição No. 111 – Outubro/2009

  • Barack Obama: o polêmico Nobel da Paz, por Virgílio Caixeta Arraes
  • Eleições realinham o cenário político-partidário na Alemanha, por Solange Reis Ferreira
  • Honduras e o retorno de Tio Sam, por José Flávio Sombra Saraiva
  • O Segundo Eclipse do Sol Nascente: as origens das décadas perdidas do Japão, por Rogério Makino
  • Poder Político e Regulação do Pré-Sal, por José Alexandre Altahyde Hage
  • As estratégias por trás da parceria estratégica Brasil-União Européia, por Clarissa Franzoi Dri
  • Recentes prisões marcam boa fase dos últimos anos do Tribunal de Arusha, por Amanda Rezende
  • Brasil se consagra sede olímpica – Rio 2016: Auge de uma potência?, por Vitor Stuart Gabriel de Pieri & Juan B. Scartascini del Río
  • E o Nobel da Paz vai para… Obama?!, por Fernando Cavalcante
  • Separando o jurídico do político: a responsabilidade do Brasil na crise hondurenha, por Thomaz Francisco Silveira de Araujo Santos
  • Mudanças Históricas no Sistema Internacional, por José Alexandre Altahyde Hage
  • O BRIC que corre o risco de ser RIC, por Argemiro Procópio Filho
  • Pré-sal e suas ameaças: imaginárias e reais, por Gunther Rudzit & Otto Nogami

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Barack Obama: o polêmico Nobel da Paz, por Virgílio Caixeta Arraes

De toda premiação Nobel do ano de 2009, a mais surpreendente se localizou no segmento da paz, ao conceder-se o galardão ao Presidente Barack Obama, precocemente recompensado, tendo em vista o fato de estar ainda nas primícias de seu mandato.

De modo inesperado, o dirigente norte-americano teria sido premiado não por uma vigorosa iniciativa pacifista, mas sim por um retraído posicionamento bélico, ao limitar-se a manter em andamento duas guerras herdadas de seu antecessor, George Bush, por este iniciadas ainda em seu primeiro mandato, entre o final de 2001 e o começo de 2003. Read more…

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Eleições realinham o cenário político-partidário na Alemanha, por Solange Reis Ferreira

Inesperado é o que se pode dizer sobre o resultado das eleições parlamentares na Alemanha em 2009.  Angela Merkel renovou o mandato por quatro anos à frente do governo exatamente como indicavam as pesquisas finais. A novidade fica por conta do seu novo parceiro. Além de levar a maior parte dos votos, a união democrata-cristã, formada pelos partidos CDU e CSU, desatou a forçosa aliança com o socialista SPD.

Com 33.8% para a União CDU/CSU e 14.6% para o liberal FDP, os partidos de centro-direita garantiram a já tradicional prerrogativa da maioria, abocanhando 323 assentos, 15 acima do mínimo necessário.  Nada de novo no front?  Nem tanto. A vitória deixou o gosto amargo do pior resultado para a democracia-cristã desde 1949, ano em que foi fundada a Alemanha Ocidental. Read more…

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Honduras e o retorno de Tio Sam, por José Flávio Sombra Saraiva

Honduras, país de importância modesta para os grandes atores do teatro internacional, fez-se centro de crise em 2009. Crise rima com América Central. Nos tempos da Guerra Fria emergiu a crise da Guatemala de 1954. Foi lá o primeiro experimento das cover operations da CIA na América Latina. Um regime político que propunha modernização social foi substituído por um regime de exceção, sob a batuta de Washington. Tio Sam exportava valores e armas para as elites bananeiras e cafeeiras.

Da guerra do futebol entre Honduras e El Salvador às mudanças políticas nos anos 1980, como a elevação da ideologia sandinista, as influências cubanas, entre outros casos, caracterizam a história das relações internacionais da América Central. Mas apesar dos governos mais à esquerda na região nos dias de hoje, a marca histórica da inserção internacional de tais países é a obediência religiosa aos ditames ianques. Read more…

O Segundo Eclipse do Sol Nascente: as origens das décadas perdidas do Japão, por Rogério Makino

A expressão “Eclipse do Sol Nascente” ficou consagrada em livros como os de Robert Freeborn e Toshikazu Kase, referindo-se à derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial. Por meio de uma estratégia imperialista, o Japão pretendia equiparar-se em poder e prestígio às grandes potências do Ocidente (ou mesmo superá-las), mas o desenrolar da guerra sepultou momentaneamente as suas aspirações. A estratégia militarista foi abandonada, mas não o antigo objetivo. A partir de então, o país concentrou-se no desenvolvimento econômico, conseguindo manter altas taxas de crescimento por décadas. Ganhou visibilidade no cenário internacional e tornou-se referência em modernidade. Na década de 80, intensificaram-se os debates internos e as expectativas do mundo por um maior protagonismo no sistema internacional (como à época da Guerra do Golfo). Mas novamente sua ascensão foi interrompida, desta vez por uma crise aguda, seguida de um longo período de estagnação nos anos 90, conhecido como a década perdida do Japão, devendo-se ressaltar que essa tendência apresentou-se como persistente na década subsequente. Read more…

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Poder Político e Regulação do Pré-Sal, por José Alexandre Altahyde Hage

O que se tenciona analisar neste artigo são as razões e implicações políticas que devem impulsionar as decisões governamentais no momento de se criar o marco regulatório para a exploração petrolífera. De antemão, o artigo se concentra na questão brasileira, com algumas comparações internacionais. O escrito também tem a intenção de analisar alguns conceitos políticos que marcam presença na investigação sobre política energética que se faz no País, sobretudo no instante em que emergem defesas a favor do regime de concessão e de partilha. Read more…

As estratégias por trás da parceria estratégica Brasil-União Européia, por Clarissa Franzoi Dri

A despeito de eventuais expectativas do setor econômico, a retomada das negociações para o acordo de associação comercial entre o Mercosul e a União Européia (UE) não esteve entre as prioridades da III Cúpula Brasil-UE, realizada no último dia 6 de outubro em Estocolmo. A reunião, organizada pelo Conselho Europeu, órgão representativo dos Estados da UE, e pela Comissão Européia, instituição técnica e executiva do bloco, buscou dar continuidade ao acordo de parceria estratégica entre a UE e o Brasil, lançado em 2007.

A primeira reunião de cúpula, realizada em Lisboa, marcou o início da aliança e definiu prioridades vinculadas ao “reforço do multilateralismo”: reforma da ONU, combate à pobreza e promoção dos direitos humanos. No final de 2008 o Brasil sediou o segundo encontro, marcado pelos debates acerca da crise financeira. Desta vez, sob o impulso da presidência sueca na UE, as discussões centraram-se em questões ambientais: aquecimento global, Amazônia e biocombustíveis. Houve também um apelo contra o protecionismo comercial e pelo reinício das negociações de Doha. Read more…

Recentes prisões marcam boa fase dos últimos anos do Tribunal de Arusha, por Amanda Rezende

Entre os meses de setembro e outubro deste ano, as atividades do Tribunal Penal Internacional para Ruanda – ICTR, em sua sigla em inglês – passaram a ser noticiadas com certa frequência em sites de notícias e jornais internacionais como International Herald Tribune, BBC e CNN em função de duas novas prisões (Idelphonse Nizeyimana e Gregoire Ndahimana) de uma lista de treze fugitivos elaborada pelo Tribunal e de resultado do terceiro julgamento (Tharcisse Renzaho) ocorrido em 2009. Read more…

Brasil se consagra sede olímpica – Rio 2016: Auge de uma potência?, por Vitor Stuart Gabriel de Pieri & Juan B. Scartascini del Río

No dia 2 de outubro o Comitê Olímpico Internacional (COI) reunido em Copenhague, elegeu a cidade do Rio de Janeiro como organizadora dos Jogos Olímpicos de 2016. Superando a Chicago, Tóquio e Madrid – talvez a grande favorita – a eleição trouxe pela primeira vez os jogos olímpicos ao continente sul-americano, a segunda na América Latina, a terceira no hemisfério sul e a quarta vez que os Jogos se realizam em uma nação, em concordância com Mundial de futebol. Read more…

E o Nobel da Paz vai para… Obama?!, por Fernando Cavalcante

Barack Obama é o mais novo laureado com o Prêmio Nobel da Paz. O anúncio foi feito na manhã do último 9 de Outubro no Instituto Nobel da Noruega, em Oslo. Segundo o Comitê responsável pela decisão, o mais prestigiado prêmio para a preservação e promoção da paz foi concedido ao atual Presidente dos EUA “pelos seus extraordinários esforços para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”. Com a decisão deste ano, o Comitê entrega o galardão mais propriamente como um sinal de apoio ao discurso do atual Presidente, e não como um reconhecimento às suas ações concretas. Read more…

Separando o jurídico do político: a responsabilidade do Brasil na crise hondurenha, por Thomaz Francisco Silveira de Araujo Santos

Desde o início do envolvimento do Brasil na crise hondurenha a mídia nacional tem procurado a ajuda de profissionais de diversas áreas para entender a dinâmica desse fenômeno e, principalmente, o papel desempenhado pela diplomacia brasileira nesse conflito. Historiadores e especialistas em relações internacionais têm contribuído para a explicação e a compreensão do problema, mas as manifestações de alguns juristas têm deixado a desejar por, pelo menos, dois motivos.

Em primeiro lugar, algumas imprecisões conceituais em matéria de Direito Internacional constantes nos pronunciamentos e textos desses juristas confundem o público e podem até mesmo passar uma idéia equivocada da conduta brasileira quanto à presença do presidente deposto Manuel Zelaya na Eembaixada do país em Tegucigalpa. Em segundo lugar, certas declarações fazem um juízo mais político que jurídico da posição brasileira quanto à crise em Honduras, por vezes deixando de analisar se Honduras e Brasil estão violando ou não suas obrigações internacionais. Logo, a presente análise pretende esclarecer as questões de Direito Internacionalis levantadas pela crise hondurenha e diferenciar as dimensões política jurídica e política nda atuação da diplomacia brasileira na presente crise. Read more…

Mudanças Históricas no Sistema Internacional, por José Alexandre Altahyde Hage

O objetivo deste breve artigo é abrir análise sobre um fato de grande relevância nos estudos de política e relações internacionais. A saber, quais sãos os itens que impulsionam mudanças no sistema internacional, o momento histórico em que a alteração ocorre e a qualidade dos Estados que fomentam a transformação. Com a crise econômica que ganhou corpo no ano de 2008 que, em parte, perdura passou a haver interesse na investigação para saber se, efetivamente, há alguma mudança na cabeceira do sistema internacional, desalojando relativamente seus antigos ocupantes, membros do hemisfério norte, para ceder lugar a outros. Read more…

O BRIC que corre o risco de ser RIC, por Argemiro Procópio Filho

No deslocamento das economias mundiais, contando o menos que pode com o mercado interno, o Governo que pragmaticamente mantém o apartheid social, dificilmente erguerá o Brasil aos patamares científicos dos parceiros russos, indianos e chineses.

Único do grupo dos BRICs a renunciar aos armamentos nucleares, o Brasil prioriza de mentirinha o científico e o tecnológico. O baixo salário dos seus cientistas comprova isso. No vestiário das nações, os parceiros emergentes o vestem de potência agroenergética depois de um desavergonhado striptease onde se despiu da sua indumentária natural de potência ambiental. Read more…

Pré-sal e suas ameaças: imaginárias e reais, por Gunther Rudzit & Otto Nogami

Nos últimos dois anos a mídia brasileira deu muito destaque às descobertas das novas reservas petrolíferas nas Bacias de Santos e Campos, mais conhecidos como a área do pré-sal. Muito também tem sido falado sobre os interesses estrangeiros, mais especificamente o norte-americano, por esta gigantesca reserva, que até o momento não se sabe ao certo qual o tamanho e conseqüente potencial de produção. Read more…

Sumário da Edição No. 110 – Setembro/2009

  • Azerbaijão: a esquina de Dede Korkut na Rota das Sedas, por Paulo Antônio Pereira Pinto
  • Democracia e Autoritarismo em Honduras: o que está em jogo?, por Carlos Federico Domínguez Avila
  • O Brasil e os direitos humanos: do conservadorismo à valorização, por Bruna Vieira de Paula
  • Arábia Saudita: desafio do governo Obama, por Virgílio Caixeta Arraes
  • Relação Estratégica Brasil-França: Questões a serem respondidas, por Gunther Rudzit & Oto Nagami
  • O Brasil e o G20 financeiro: alguns elementos analíticos, por Paulo Roberto de Almeida
  • O significado dos recentes gastos militares do Brasil em perspectiva, por Antônio Jorge Ramalho da Rocha
  • La Renegociación de Itaipú: Una Nueva Oportunidad para el Paraguay, por Gustavo Rojas & Lucas Arce
  • O ocaso da “rivalidade emergente”, por Matias Spektor
  • As eleições no Japão: o significado da derrota do Partido Liberal Democrata, por Rogério Makino
  • O transformismo político e suas ressonâncias nas Relações Internacionais, por Argemiro Procópio Filho
  • Resenha de “Lords of Finance: The Bankers Who Broke the World”, de Liaquat Ahamed, por Maurício Santoro Rocha
  • Resenha de “Relações Internacionais: o desgaste da nova ordem mundial”, de Virgílio Arraes, por Thiago Gehre Galvão
  • Resenha de “Russia: a new cold war?”, organizado por Michel Korinman & John Laughland, por Alessandra Aparecida Luque
  • Resenha de “O Horizonte Regional do Brasil: Integração e Construção da América do Sul”, de Leandro Freitas Couto, por Taís Sandrim Julião
  • Resenha de “A Tirania do Petróleo: A mais Poderosa Indústria do Mundo e o que Pode ser feito para Detê-la”, de Antonia Juhasz, por José Alexandre Altahyde Hage

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Resenha de “Russia: a new cold war?”, organizado por Michel Korinman & John Laughland, por Alessandra Aparecida Luque

Estendendo-se da Europa à Ásia, com uma trajetória marcada por dois séculos de história, a Rússia busca na atualidade o reconhecimento do seu status como potência e a redefinição da sua identidade enquanto país reemergente depois da imediata crise do pós-Guerra Fria. De império soviético à nação russa, Estado em reconstrução, à luz de tal dualidade, o país que fora palco de grandes transformações revolucionárias, vivenciou nessas quase duas décadas, uma situação de rápida mudança. Frente a essa reconfiguração, velhos dilemas se misturam aos novos desafios reascendendo o debate sobre qual é o papel da Rússia. Dessa forma, terá a Rússia perspicácia e desenvoltura para enfrentar uma ordem em transformação ou se renderá às suas heranças e bases ideológicas soviéticas? Ou ainda buscará um caminho diferente como sugerem alguns autores? Read more…

Azerbaijão: a esquina de Dede Korkut na Rota das Sedas, por Paulo Antônio Pereira Pinto

Quem são, no Azerbaijão, os azeris: turcos iranianos ou iranianos turcos? Consta que, no início de formação desta nacionalidade, lá pelo Século XIV, o bom ancião Dede Kokurt ficava, em área hoje ocupada pelo país, na esquina da Rota das Sedas, e “narrando, espalhava por toda a parte” a epopéia deste povo tão antigo. A questão não tem apenas o interesse literário sobre a principal narrativa oral dos “povos turcos” – entre eles os azeris, que  reverenciam a imagem de Dede Kokurt. Isto porque, o Azerbaijão, como outros novos estados que se emanciparam da União Soviética, a partir da década de 1990, enfrentam, entre outros, os problemas do estabelecimento de identidades nacionais viáveis e da reconstrução de suas instituições culturais e educacionais.

O Azerbaijão é palco de história rica e antiga e, da mesma forma que seus vizinhos no Cáucaso, tem sido cenário de batalhas há mais de um milênio. Há evidência de ocupação humana em seu território, desde a Idade da Pedra. Localizada na convergência de diferentes civilizações, a região foi invadida e disputada por grandes impérios e personagens famosos, como Alexandre o Grande, o General Romano Pompeu, o conquistador mongol Genghis Khan, e o Tsar Pedro o Grande. Read more…

Democracia e Autoritarismo em Honduras: o que está em jogo?, por Carlos Federico Domínguez Avila

Em 28 de junho de 2009, os hondurenhos estavam convidados a participar em uma consulta popular não-vinculante que possibilitaria (ou não) a realização de um plebiscito conjunta e simultaneamente com as eleições gerais programadas para 27 de novembro deste ano. Na hipótese de ter massivo apóio popular o plebiscito demandaria reformas constitucionais no governo a ser empossado em janeiro de 2010. É importante ressaltar que, diferentemente do que normalmente aparece na imprensa, o presidente José Manuel Zelaya Rosales (2006-2010) não é – e nunca foi – candidato a um novo período de governo – isto é, a uma eventual reeleição consecutiva, que de fato não existe história política recente do país. Read more…

O Brasil e os direitos humanos: do conservadorismo à valorização, por Bruna Vieira de Paula

O presente trabalho objetiva realizar breve análise da política externa brasileira em direitos humanos de 1948 até hoje, de modo a demonstrar que esta evoluiu do conservadorismo à valorização desses direitos, após a redemocratização.

Após a adoção da Declaração Universal de 1948, a posição brasileira foi assertiva na proteção desses direitos, adquirindo experiência regional e global (CERVO & BUENO, 2002). O Brasil não era apenas um Estado constitucional democrático, mas também um dos países com discurso mais avançado sobre o tema (ALVES, 2008), tendo participado dos trabalhos preparatórios da Declaração.

A partir de 1964, porém, com o estabelecimento do regime militar, o Brasil passou a tomar posições mais defensivas, isolacionistas e conservadoras nos foros multilaterais de direitos humanos (CERVO & BUENO, 2002). Refletindo a realidade de supressão de direitos humanos no plano interno, estes direitos desapareceram da sintaxe diplomática brasileira e permaneceram no ostracismo (ALVES, 2008). O País passou a apresentar maior resistência à aceitação de mecanismos internacionais de proteção, sob a justificativa de que a proteção dos direitos humanosera competência interna do Estado. Portanto, o Brasil não ratificou os Pactos Internacionais de Direitos Humanos de 1966. Read more…

Arábia Saudita: desafio do governo Obama, por Virgílio Caixeta Arraes

Transcorridos mais de seis meses de mandato, observa-se que o governo Obama não implementou, de fato, nenhuma medida transformadora na sua política externa, apesar de ela ter sido um dos pontos mais vulneráveis da gestão antecessora. Dentre eles, situa-se, sem sombra de dúvida, o Oriente Médio. Nele, a Arábia Saudita é o mais importante aliado dos Estados Unidos, após Israel. Isoladamente, não há como desconsiderá-la de temas como petróleo ou terrorismo, por exemplo. Read more…

Resenha de “O Horizonte Regional do Brasil: Integração e Construção da América do Sul”, de Leandro Freitas Couto, por Taís Sandrim Julião

Pensar as relações internacionais do Brasil exige ao analista a consideração de elementos políticos, econômicos, sociais, culturais e geográficos que sejam capazes de situar um significado singular à experiência internacional do país. A combinação desses elementos e a análise dela decorrente representam, portanto, condição necessária para compreender de que maneira é  formulado e articulado seu projeto de política externa, bem como suas variações ao longo do processo histórico. Read more…

Relação Estratégica Brasil-França: Questões a serem respondidas, por Gunther Rudzit & Oto Nagami

A questão acerca das compras de equipamento militar por parte do governo brasileiro esteve em evidência nas últimas semanas. Muitas discussões surgiram sobre o processo de seleção dos novos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB) dentro do programa FX2, com as atenções voltadas, principalmente, sobre a relação que se estabelece entre Brasil e França a partir da quase certa aquisição do avião francês. Apesar do destaque para a área militar, faz-se necessário uma rápida análise sobre outros aspectos dessa aproximação para que se possa avaliar se ela tem possibilidade de se concretizar. Read more…

O Brasil e o G20 financeiro: alguns elementos analíticos, por Paulo Roberto de Almeida

Este breve ensaio efetua uma análise de conjuntura da economia brasileira, mais pelo lado das políticas econômicas do que propriamente pelos principais indicadores setoriais. Foram focalizadas a situação econômica previamente e no decorrer da crise, as principais respostas das autoridades econômicas e as perspectivas que se oferecem ao Brasil no pós-crise, relativamente favoráveis no conjunto do G20. São também tecidas considerações sobre as principais propostas brasileiras para uma nova arquitetura financeira internacional, em torno de posições que o país partilha com os demais Brics, cujo teor essencial é o aumento da participação dos emergentes nos processos decisórios mundiais. Read more…

O significado dos recentes gastos militares do Brasil em perspectiva, por Antônio Jorge Ramalho da Rocha

“O Brasil não é para principiantes”, dizia Tom Jobim aos estrangeiros que lhe pediam para explicar certas coisas de nosso país. E sorria. É um país difícil de entender.

Desde a semana passada, parece que Defesa Nacional virou assunto importante. O Senado Federal autorizou o empréstimo necessário a adquirir 4 submarinos convencionais e 50 helicópteros, além de concluir o projeto do submarino movido a propulsão nuclear. Ato contínuo, fala-se da compra dos caças destinados a reaparelhar a Força Aérea. Outra parte do dinheiro estava no orçamento da União, entregue ao Congresso na mesma semana. Read more…

Resenha de “Lords of Finance: The Bankers Who Broke the World”, de Liaquat Ahamed, por Maurício Santoro Rocha

Durante a crise asiática, Liaquat Ahamed olhou com apreensão uma capa da revista Time com fotografias de autoridades econômicas com o título “o comitê para salvar o mundo”. Economista formado em Harvard e Cambridge, com longa carreira como banqueiro de investimentos, Ahamed pensou no fracasso dos titulares dos bancos centrais dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Alemanha em enfrentar a Grande Depressão da década de 1930. Do desconforto nasceu o excelente livro “Lords of Finance: The Bankers Who Broke the World”. Read more…

La Renegociación de Itaipú: Una Nueva Oportunidad para el Paraguay, por Gustavo Rojas & Lucas Arce

Después de casi un año de intensas negociaciones, Paraguay y Brasil definieron las bases de un acuerdo para la Hidroeléctrica de Itaipú. El Brasil recibe actualmente casi 20 por ciento de su energía de Itaipú, pagando al Paraguay cerca de US$ 120 millones anuales por la energía cedida. Cada país es dueño de la mitad de los 14.000 megawatts que la represa produce anualmente, pero el Paraguay consume solamente 5 por ciento de su parcela, vendiendo lo restante a Eletrobrás por US$ 45 el megawatt/hora. El documento firmado por ambos presidentes, llamado “Construyendo una Nueva Etapa enla Relación Bilateral ”, establece que el valor pagado por Brasil por la energía paraguaya será triplicado, alcanzando US$ 360 millones. Con el acuerdo el Paraguay será, finalmente, autorizado a vender un monto creciente de ese excedente de energía directamente al mercado brasileño, donde, según los precios actuales del mercado, su valor puede llegar a US$ 65 por megawatt/hora. Además, la empresa Itaipú Binacional costeará la modernización de una línea de transmisión entre la usina y Villa Hayes, ampliando la capacidad de transmisión de la energía disponible para Paraguay. Finalmente, el Presidente Lula renovó sus votos para la creación de un fondo de desarrollo destinado a financiar proyectos de integración productiva y de obras de infraestructura en Paraguay. Read more…

O ocaso da “rivalidade emergente”, por Matias Spektor

A “rivalidade emergente” é uma das teses mais arraigadas da mitologia brasileira em política externa. Ela prega que o processo de modernização econômica do Brasil levou os Estados Unidos a enxergarem no país um desafio real ou potencial. O resultado dessa leitura teria sido uma estratégia americana desenhada para tolher, embotar e mitigar o desenvolvimento nacional brasileiro. Forças estruturais empurrariam os Estados Unidos a fazer o possível para manter o Brasil enquistado na periferia do sistema internacional. Ecoando a teoria da dependência, essa perspectiva sustenta que a industrialização num país periférico gera reação adversa por parte dos países centrais. Read more…