Sumário da Edição No. 114 – Janeiro/2010
- A difícil e esquecida questão do Saara Ocidental, por Pio Penna Filho
- Estados Unidos: o desgaste na política externa, por Virgílio Caixeta Arraes
- O “Fim da História”, de Fukuyama, vinte anos depois: o que ficou?, por Paulo Roberto de Almeida
- Barack Obama e o Desafio da Liderança, por Cristina Soreanu Pecequilo
- Haiti: Humanitarismo e Política Internacional, por José Flávio Sombra Saraiva
- Sebastián Piñera – O Chile muda depois de vinte anos, por João Bosco Monte
- O lugar da China no comércio exterior brasileiro, por Diego Pautasso
- O surto rearmamentista na América do Sul, por Elói Martins Senhoras
- Um Novo Começo para o START? Os EUA, a Rússia e a Proliferação Nuclear, por Cristina Soreanu Pecequilo & Alessandra Aparecida Luque
- Securitização e dessecuritização da Amazônia contemporânea, por João Nackle Urt & Alexandre Felipe Pinho
- Oportunidades para Cooperar nas Relações Brasil-EUA, por Diego Araújo Campos
- Do exército ao Itamaraty: a desarticulação do Estado brasileiro, por José Alexandre Altahyde Hage
- Cinqüenta anos do acordo de cooperação e segurança entre o Japão e os EUA: momento de reflexão, por Alexandre Uehara
- Barack Obama, Ano I, por Antônio Lassance
- A Conferência de Revisão de Durban contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Correlatas de Intolerância de 2009 e o Brasil, por Bruna Vieira de Paula
- O Uruguai e o Mercosul: novos desafios de José Mojica, por Pedro Ernesto Fagundes
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Sebastián Piñera – O Chile muda depois de vinte anos, por João Bosco Monte
Depois de vinte anos a frente do governo do Chile a coligação multipartidária de centro-esquerda, Concertación, perdeu no último dia 17 de janeiro a eleição presidencial quando os chilenos elegeram no segundo turno o candidato da direita, o empresário Sebastián Piñera.
O recém eleito presidente, da Coalición por el Cambio,chega com quase 52% dos votos ao mesmo tempo em que lidera a coligação de vários partidos. Com sua vitória se produz a primeira alternância democrática, ao mesmo tempo em que significa pela primeira vez, em cinqüenta e dois anos, a chegada da direita (através do voto direto) ao Palácio de la Moneda.
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O surto rearmamentista na América do Sul, por Elói Martins Senhoras
A despeito de existir uma agenda institucional de regionalização transnacional comprometida com a segurança e defesa por meio da criação de um Conselho de Defesa Sul-Americano, a conjuntura atual aponta para um crescente rearmamento ou modernização dos arsenais dos países em função da compra massiva de armas.
Definida por um componente de defesa nos países sul-americanos que se assenta no reaparelhamento e na reatualização tecnológica das forças armadas, a atual conjuntura armamentista na América do Sul tem sido beneficiada por distintos canais de financiamento.
De um lado, estão petróleo venezuelano, o cobre chileno e os grãos brasileiros que foram responsáveis pelo aumento do nível das reservas internacionais dos respectivos países, em um contexto dinamizado pelas exportações e pela melhora nos términos de intercâmbio com o aumento do preço das commodities no período entre 2001 e 2008.
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Securitização e dessecuritização da Amazônia contemporânea, por João Nackle Urt & Alexandre Felipe Pinho
Finda sua relativa importância geopolítica no contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em face do caráter estratégico da borracha para a indústria bélica da época, a Amazônia saiu do foco das opiniões públicas mundiais, acompanhando o caráter periférico que a América do Sul assumiu na Guerra Fria. Somente a partir da década de 1970, com a emergência do tema ambiental na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Estocolmo, 1972), a Amazônia ensaiou um retorno à agenda global. Embora inicialmente tímida, a inserção da região amazônica nos assuntos internacionais foi crescente nas décadas de 1980 e 1990. Atualmente, a julgar pela importância conquistada pela temática ambiental, seu lugar na agenda internacional é permanente. Esse foco da opinião pública mundial tem despertado diferentes formas de discursos securitizadores, levando o debate sobre a Amazônia do campo da política para o campo da segurança. Leia mais…
Estados Unidos: o desgaste na política externa, por Virgílio Caixeta Arraes
Revigorado politicamente após a aprovação no Senado de sua proposta de reforma do sistema de saúde, a primeira significativa desde os anos 1960 - quando da gestão de Lyndon Johnson - o Presidente Barack Obama desfruta a oportunidade de alterar a sua política externa em 2010.
Lamentavelmente, ela é uma contrafação até o momento da de seu desgastado predecessor republicano, a despeito paradoxalmente da premiação do Nobel da Paz em 2009 – a mera migração de tropas do Iraque para o Afeganistão reitera tal posicionamento. Leia mais…
A difícil e esquecida questão do Saara Ocidental, por Pio Penna Filho
O Saara Ocidental é o único território continental africano que ainda não goza de independência. Trata-se de um problema que vem se arrastando desde 1976, quando os espanhóis deixaram a antiga colônia do Saara Espanhol e, na sequência, o Reino do Marrocos anexou o território, apesar dos protestos e da disposição da Frente Polisário, movimento criado em 1973 e que representa os interesses do povo saaráui, de continuar a luta contra o que entendem ser o novo opressor. Vale lembrar que na época da retirada dos espanhóis também a Mauritânia invadiu o território, disputando-o com o Marrocos, mas retirando-se poucos anos depois (1979). Esse é, portanto, um problema internacional antigo e que continua afligindo milhares de pessoas que são obrigadas a sobreviverem em campos de refugiados em condições precaríssimas. Leia mais…
O “Fim da História”, de Fukuyama, vinte anos depois: o que ficou?, por Paulo Roberto de Almeida
1. O que restou, vinte anos depois, da tese controversa de Fukuyama?
No verão de 1989, a revista americana National Interest publicava um ensaio teórico – mais exatamente de filosofia da História – do intelectual nipo-americano Francis Fukuyama sobre os sinais – até então simplesmente anunciadores – do fim da Guerra Fria, cujo título estava destinado a deslanchar um debate ainda hoje controverso: “The End of History?”.[1] Vinte anos depois, em vista das muitas críticas feitas naquela conjuntura – e ainda hoje – às principais teses do autor, vale a pena retomar seus principais argumentos e verificar se eles ainda conservam alguma validade para nossos tempos, que poderiam ser considerados como de pós-Guerra Fria, mas que alguns interpretam, ou consideram efetivamente, como de volta à Guerra Fria, ainda que sob novas modalidades (com uma Rússia singularmente diminuída e uma China hesitante em se posicionar como contendor estratégico dos Estados Unidos). Leia mais…
O lugar da China no comércio exterior brasileiro, por Diego Pautasso
A China tornou-se o maior parceiro comercial brasileiro em 2009, superando os EUA depois de décadas. No entanto, as relações entre Brasil e China indicam mais do que a alteração na hierarquia dos parceiros comerciais brasileiros, mas uma mudança tanto das nossas relações exteriores quanto da própria correlação de forças no sistema internacional. O objetivo do presente artigo de conjuntura é, pois, tentar captar o lugar da China no comércio exterior brasileiro em face das transformações sistêmicas que se aprofundam desde o fim da Guerra Fria.
A mudança das relações exteriores do Brasil tem coincidido com grandes transformações da política e dos negócios internacionais. Durante o século XIX, a Grã-Bretanha tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil, em substituição a Portugal; e, durante o século XX, os EUA tomaram o lugar da Grã-Bretanha nos negócios com nosso país. Em outras palavras, a ascensão dos pólos hegemônicos do sistema mundial e as reestruturações do capitalismo têm tido repercussão direta sobre a inserção internacional do Brasil. Dessa forma, a virada do século XX-XXI marca a mudança de lugar da China nas relações exteriores brasileiras, indicando transformações que representam desafios e oportunidades de longa duração para o comércio exterior e a diplomacia do Brasil, justamente num quadro de transição sistêmica. Leia mais…
Haiti: Humanitarismo e Política Internacional, por José Flávio Sombra Saraiva
O mundo se curvou aos fatos. O esforço humanitário é urgente para garantir o mínimo diante das conseqüências indeléveis do terremoto no Haiti. A cooperação é o lema e todos querem estar junto aos difíceis trabalhos de salvamento e proteção de desamparados pela imperiosa natureza e pela imprudência dos homens.
A tragédia haitiana, no entanto, se faz dentro da reedição das duras disputas da política internacional do momento. Depois de Copenhague, onde pesou o arranjo sino-americano, o Haiti é o novo palco para a exibição dos interesses e das quedas de braço do sistema internacional em momento de redesenho de hierarquias. Abandonadas pelas grandes potências, que minguaram recursos e esforços diplomáticos para o alívio da pobreza no Haiti e em países miseráveis que o mundo ainda abriga, são essas mesmas potências que agora coordenam a operação do aplainar os cemitérios do país caribenho.
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A Conferência de Revisão de Durban contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Correlatas de Intolerância de 2009 e o Brasil, por Bruna Vieira de Paula
Ao se fazer um balanço do multilateralismo na área dos direitos humanos em 2009, pode-se chegar à conclusão que o principal evento foi a Conferência de Revisão de Durban contra o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e as formas correlatas de intolerância, realizada em Genebra de 20 a 24 de abril, com o objetivo de revisar a Declaração de o Plano de Ação de Durban de 2001 (DDPA). As negociações preparatórias para a Conferência foram difíceis e enfrentaram vários entraves, e o Brasil e o Grupo de Países da América Latina e do Caribe (GRULAC) tiveram papel relevante nas negociações, para o sucesso da Conferência.
Poucos dias após o final da Conferência de Durban em 2001, cujas negociações já haviam sido conturbadas, os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 mudaram dramaticamente o clima que envolvia a implementação do DDPA no mundo. Maiores preocupações com segurança acarretaram a introdução, em muitos países, de medidas e práticas excessivas, que prejudicaram a proteção e a promoção dos direitos humanos. Essas medidas tiveram impacto negativo sobre as vítimas de racismo e discriminação e aumentaram a incidência de violações. Nesse contexto, vários impasses permearam as negociações da Conferência de Revisão de Durban, dentre os quais, alguns se destacaram.
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